No passado dia 27 de Abril, o Presidente da República ficou a conhecer pessoalmente o projecto Águeda Concept, onde a Enerwise participa como parceiro.
O projecto Águeda Concept é uma iniciativa empresarial pioneira que consiste no desenvolvimento de produtos inovadores pressupondo as tendências do futuro. Este projecto de investigação e desenvolvimento distingue-se de outros similares pela quantidade de empresas envolvidas de forma a abranger as mais variadas valências.
O primeiro resultado da iniciativa Águeda Concept foi uma casa sustentável, de arquitectura modular, em que a sua estrutura utiliza, essencialmente, material reciclado de desperdícios do sector automóvel.
Os vários parceiros integraram na casa o seu know-how utilizando tecnologia inovadora em cada área de actuação, o que permitiu criar um produto final definidor do estado-da-arte de uma habitação familiar.
A Enerwise teve a seu cargo as áreas de eficiência energética e do sistema de fornecimento de energia da habitação Águeda Concept. Para a produção de electricidade a Enerwise forneceu uma turbina eólica de eixo vertical UGE e um sistema fotovoltaico.
Poderá conhecer esta casa do futuro na Tektónica, a maior feira de construção do país, na FIL, de 8 a 12 de Maio ou através de http://aguedaconcept.com/pt/.
A empresa de consultadoria Ernest & Young publicou recentemente uma actualização do relatório de atractividade de investimento em energias renováveis.
O relatório contém um índice para o mercado nacional de energias renováveis, infra-estruturas para energias renováveis e sua aplicabilidade para tecnologias individuais.
Portugal perdeu várias posições neste ranking, descendo da 16º para a 19º posição no ranking com 44 pontos, numa escala de 0 a 100 pontos.
A China, por seu turno, continua a ocupar o 1º lugar sem grandes novidades. Além dos investimentos na energia eólica a China pretende o desenvolvimento de outras áreas como a energia hídrica e a geotermia em que, neste último caso, está a estabelecer uma parceria com a Islândia para partilha de know-how.
Os Estados Unidos e Alemanha ocupam continuam a manter o 2 º e 3º lugar, respectivamente. Os Estados Unidos perderem 4 pontos no índice devido ao fim de um incentivo fiscal para a energia eólica e à falta de confiança na industrial solar devido à falência de 3 grandes fabricantes de painéis e módulos solares.
Globalmente nota-se uma redução dos países do Ocidente neste índice devido às medidas de austeridade e dificuldades financeiras. Países emergentes, tais como o Brasil e Roménia, têm perspectivas de crescimento elevadas nas energias renováveis devido à elevada procura de energia.
A Ernest & Young concluiu que está as regiões da Europa de Leste, Médio Oriente, Norte de África, Sueste da Ásia e América Latina representam agora o futuro das energias renováveis.
O relatório integral está disponível para consulta nesta ligação.
A Associação da Indústria Solar germânica (BSW-solar) publicou recentemente um estudo onde prevê o aumento da quota de produção de electricidade com base em energia solar em 70% até 2016, atingindo nesse momento 7% do mix energético do país.
Esta importante conclusão demonstra que os cortes nas tarifas implementados já permitem controlar os custos da expansão da potência solar fotovoltaica.
Recorde-se que a tarifa de venda da energia na Alemanha sofreu um corte de 13% em 2011 estando previsto novo corte de 27% este ano.
Foi analisada também neste estudo o efeito de um tecto à potência instalada (semelhante ao regime existente em Portugal) revelando, contudo, que se conseguiria conter o aumento da tarifa da electricidade em apenas 1%. Contrastaria com este tímido aumento as perdas para a indústria – redução de empregos, capital investido, perda de domínio tecnológico e impostos.
É necessária que se estude os efeitos da várias reviravoltas no regime de subsidiação que tem trazido instabilidade ao sector fotovoltaico português. A falta de criação de condições para se atingir a paridade com a rede irá prolongar a dependência do país aos combustíveis fósseis cujo custo tem sido cada vez maior.
Em Portugal a subsidiação tarifária para 2012 sofreu um corte de 14% face ao valor de 2011 estando em linha com a redução do custo dos equipamentos, quer dos módulos e inversores, quer dos restantes componentes (BOS). O regime de suporte às renováveis define a redução da tarifa de venda em cada ano assentando na redução expectável do custo dos equipamentos. O desenvolvimento do mercado implicaria o aumento significativo da quota de potência instalada, que é extremamente reduzida, trazendo com isso mais empresas, mais concorrência e consequentemente preço mais baixo para os consumidores.
A última publicação da Associação Europeia da Indústria Fotovoltaica, “Solar Photovoltaics competing in the energy sector – On the road to competitiveness”, analisa em profundidade o sector da electricidade nos 5 principais mercados da Europa. O estudo demonstra que em Itália os sistemas fotovoltaicos podem atingir a paridade com a rede eléctrica convencional em 2013, para sistemas com uma potência média instalada de 100 kW.
A velocidade com que os custos de energia produzida a partir de sistemas fotovoltaicos igualam os custos de energia produzida a partir de sistemas convencionais – combustíveis fósseis -, pela redução do primeiro membro da equação e aumento do segundo, varia nestes mercados devido aos diferentes custos da electricidade e níveis de radiação solar.
Atrás da Itália, Espanha poderá atingir a paridade em 2014, seguidos pela Alemanha e Reino Unido em 2017 e França em 2018.
A transição do estímulo de mercado da Europa – Alemanha e posteriormente Itália – para os Estados Unidos está a acontecer. A potência instalada em 2010 atingiu perto de 0,9 GW. Apesar de ainda não atingir os valores da Alemanha e Itália com 5 GW e 2 GW respectivamente, releva uma tendência de crescimento que poderá ajudar à estabilização da indústria da energia solar, que tem sentido tempos conturbados com avanços e recuos nos incentivos por parte dos governos.
A estimativa de potência instalada em 2011 é de 2 GW
A energia solar é agora a indústria com maior crescimento nos EUA, empregando mais de 100.000 pessoas. O objectivo desta indústria é de atingir 15 GW de potência anual instalada, já a partir de 2015. Ao atingir este objectivo, juntamente com os maiores mercados mundiais, Alemanha, Itália, Espanha e eventualmente China, toda a indústria terá condições para continuar a redução dos preços de fabrico e se atingir a paridade com a rede.
Actualmente, estão em fase desenvolvimento nos EUA aquilo que serão os maiores parques fotovoltaicos do mundo. O maior com 805 MW de potência tem 2013 como prazo de ligação. O segundo maior terá 690 MW. Em 10º lugar do ranking dos maiores parques fotovoltaicos do mundo em desenvolvimento está um parque com 264 MW. Para efeitos de comparação, o maior parque em operação tem 92 MW e está localizado no Canadá.
Esperemos que a redução do rating dos EUA e o problema da dívida soberana não seja uma desculpa para reduzir o incentivo às energias renováveis.
O Lawrence Berkeley National Laboratory dos Estados Unidos publicou recentemente um estudo sobre o impacto dos sistemas de energia solar fotovoltaica no valor dos imóveis.
Os responsáveis do estudo analisaram uma base de dados com aproximadamente 72.000 registos de imóveis no estado da California, em que cerca de 2.000 continham um sistema solar fotovoltaico.
Para melhorar a robustez do estudo, controlou-se um conjunto de factores que poderiam influenciar os resultados, tais como flutuações de mercado, efeitos da vizinhança, a idade e tamanho do imóvel e a zona onde se encontra.
O estudo conclui que existem fortes evidências de que habitações com sistemas fotovoltaicos são vendidas por um valor superior em comparação com habitações sem sistemas fotovoltaicos. O valor médio da diferença entre os dois tipos de habitação ascendia a $ 17.000 (para um sistema fotovoltaico de 3,1 kW – a potência média dos sistemas no estudo).
Pode-se descarregar o estudo aqui.
Em 2010, a Alemanha instalou 7.400 MW de potência solar fotovoltaica, correspondendo a cerca de 250.000 sistemas individuais.
Cerca de 58% das instalações fotovoltaicas instaladas tiveram uma potência inferior a 100 kW.
A Alemanha, enquanto maior mercado mundial de energia solar fotovoltaica, define as tendências de mercado. A constante redução nos preços dos módulos fotovoltaicos a que se assiste nos últimos anos deve-se, em grande parte, à política da Alemanha.
Os operadores do mercado -fabricantes, integradores, etc.- precisam de políticas estáveis para o seu desenvolvimento. A Alemanha, durante vários anos, permitiu essas condições através de uma política de subsidiação tarifária exemplar.
Além da indústria solar alemã que se desenvolveu solidamente ao longo dos anos, os fabricantes de outros países também beneficiaram desta política.
Em 2010, a Alemanha decidiu alterar a sua política de subsidiação tarifária, introduzindo cortes nas remunerações. Chegou a vez de outros assumirem como catalisadores do desenvolvimento das energias renováveis.
Felizmente, países como a Itália e Estados Unidos da América, redefiniram as suas estratégias energéticas, dando bastante enfoque às energias renováveis, permitindo continuar a fornecer as condições para que, num futuro próximo, não sejam necessários mais subsídios.
O recente desastre natural que assolou o Japão, com a consequente inutilização da central nuclear de Fukushima, trouxe à memória o perigo da energia nuclear em caso de acidente. O risco de contaminação do ar e água a que a zona envolvente está sujeita é extremamente elevado.
Os defensores da energia nuclear utilizam os argumentos da energia segura e barata.
Sobre este primeiro aspecto, os incidentes de Chernobyl e agora de Fukushima retiram quaisquer dúvidas. Por mais seguras que sejam as novas centrais, existe sempre o risco de existir um acidente, e quando este acontece, as consequências são devastadoras para a região onde está a central.
Em relação ao segundo aspecto, o argumento da energia barata, tal só acontece porque os custos do tratamento e acondicionamento dos resíduos das centrais não estão internalizados no custo da energia. Se o fizermos, veremos que o custo da energia produzida a partir de uma central nuclear não é muito diferente do custo médio das energias renováveis. Com uma agravante: a tendência é de subida, enquanto nas energias renováveis, assistimos nos últimos anos a uma redução considerável no custo dos equipamentos.
A opção do nuclear deverá ser bem ponderada, e nunca numa óptica de resultados rápidos para cobrir necessidades energéticas. Sempre com o propósito da honestidade intelectual, os defensores do nuclear não deverão utilizar os argumentos da energia segura e barata!
No passado dia 8 de Março, foi publicado em Diário da República o Decreto-lei 34/2011 que regulamenta o regime da minigeração.
As unidades de minigeração ligadas à rede eléctrica terão uma potência até 250 kW, sendo que a quota anual disponível é de 50 MW.
O documento define que são criados 3 escalões de potência:
Escalão I – Potência entre 3,68 kW e 20 kW. A tarifa de venda é de 250 €/MWh.
Escalão II – Potência entre 20 kW e 100 kW.
Escalão III – Potência entre 100 kW e 250 kW.
Nos escalões II e III, o valor de venda será definido em regime de leilão.
Requisitos para ser miniprodutor:
- Ter um contrato de Baixa Tensão ou Média Tensão.
- Realizar uma auditoria energética e implementar as medidas de eficiência energética com retorno até dois anos para o escalão I, três anos para o escalão II e 4 anos para o escalão III.
- A energia comprada pela instalação de consumo deve ser 50%, no mínimo, da energia produzida pela unidade de minigeração.
Pode consultar o documento completo na seguinte ligação: Decreto-Lei n.º 34/2011.
A Red Eléctrica de España, operador da rede de transporte, emitiu recentemente o relatório preliminar do sistema eléctrico espanhol.
A electricidade gerada a partir da energia solar já garante 3% das necessidades de electricidade dos consumidores espanhóis. A potência instalada de energia solar ascende a 4.000 MW.
A energia eólica foi responsável por 15% da electricidade consumida, com uma potência instalada de 19.819 MW.
A contribuição da produção de electricidade a partir de fontes de energia renováveis evitou a emissão de 58,7 milhões de toneladas de CO2.



